A montadora Caoa Chery surpreendeu com a notícia da suspensão das atividades na sua fábrica em Jacareí, no inteior de São Paulo e a demissão de cerca de 480 trabalhadores.
De acordo com a montadora, a decisão foi tomada porque um dos modelos, o Arrizo 6, vai ser importado da China e os modelos Tiggo 2 e Tiggo 3X saíram de linha. Além disso, ocorrerá uma atualização das linhas de montagem para fabricar modelos híbridos e elétricos, que deverá começar em 2025.
“Para que as mudanças ocorram de forma efetiva, a Caoa Chery informa a parada temporária da unidade fabril de Jacareí (SP). A suspensão das atividades tem como objetivo ajustar os processos produtivos da planta para novos modelos com tecnologias híbridas e elétricas, visando a modernização e atualização das linhas de produção”, informou a nota.

A fábrica da Chery iniciou suas atividades em Jacareí no ano de 2014 e em 2017 a Caoa comprou metade da operação da montadora chinesa no Brasil e foi quando a produção dos modelos mais caros da marca chinesa passaram a ser realizadas na fábrica da Caoa em Anápolis (GO).
O fechamento da unidade ocorreu devido uma série de fatores importantes, dentre eles, a alta do dólar, o aumento dos custos logísticos que surgiram com a pandemia, além da queda na venda de veículos. A fábrica tinha capacidade total de produção de 150 mil unidades/ano e no ano passado produziu pouco mais de 14 mil unidades.
Também parece que havia interesse em concentrar a produção dos veículos apenas na fábrica de Goiás, principalmente devido a incentivos fiscais. Estes foram prorrogados em 2020 por mais cinco anos e incluem mais 31% de desconto no IPI dos veículos fabricados.
Após isso foi anunciado um investimento de R$ 1,5 bilhão até 2025 na fábrica de Anápolis para melhorias e também fabricação de novos produtos.
“Devido a incentivos fiscais, é muito mais barato produzir em Anápolis do que em Jacareí. Além disso, é mais vantajoso concentrar a produção em um só local para cortar gastos. Custa muito dinheiro manter tamanha capacidade ociosa em São Paulo, não compensa, não tem como sobreviver”, informa Cassio Pagliarini, sócio da consultoria Bright Consulting e ex-diretor de Renault e Hyundai.

No momento o Sindicato dos Metalúrgicos tenta um acordo com a Caoa Chery para que os 485 funcionários não sejam demitidos. A proposta prevê cinco meses de layoff e estabilidade até janeiro de 2023.
A empresa não confirmou esse acordo mas mantém as negociações e enquanto isso, os trabalhadores protestam em frente da fábrica e solicitam apoio junto à Prefeitura e à Câmara Municipal da cidade.

