Apresentado oficialmente à imprensa em 15 de maio de 1980, o Volkswagen Gol é o carro nacional com mais história para contar.
Ele foi protagonista, líder de vendas e referência para os concorrentes: o carro mais produzido, vendido e exportado na história do setor automotivo brasileiro.
Lançado nas versões básica e L, ambos com motor 1.3l de 42 cv arrefecido a ar – derivado do Fusca -, o Gol se posicionou entre o Brasília e o Passat.
Mal havia chegado ao mercado e, já em 1981, as versões S e LS embalavam um novo motor 1.6, também a ar, mas com dupla carburação e 51 cv.
No ano seguinte, 1982, o Gol pegou carona na Copa do Mundo de Futebol e, uma nova versão, baseada na conveniência LS, nasceu para se tornar um dos modelos mais raros da família.
A sofisticada configuração Copa, em homenagem à edição que foi sedada na Espanha, hoje é um dos modelos mais disputados pelos colecionadores.
E por falar em colecionador, quem aí ainda “vira o pescoço” quando passa um Gol GT na rua?
Pois bem, a primeira versão esportiva do Gol nasceu em 1984, estreando a era dos motores de refrigeração líquida – no caso, um 1.8l de 99 cv que, mais tarde, equiparia o Santana.
Era o começo de uma dinastia esportiva nacional.
O Gol já tinha uma carreira agitada quando, em 1985, tomou emprestado a frente (com faróis maiores e agora acompanhados da luz de direção) do Voyage e da Parati nas versões equipadas com motor arrefecido a água.
Em 1986, os motores foram evoluídos e modernizados, nascendo a lenda AP 600 (Alta Performance).
O ano de 1987 foi um marco na história do Gol, que recebeu sua segunda e mais profunda reestilização ao receber novos faróis, grades e lanternas, além de para-choques mais envolventes e rodas redesenhadas.
Um novo esquema de nomenclatura – C, CL e GL – definia os níveis de acabamento e equipamentos, enquanto o GT era sucedido pelo mais apimentado GTS.
Com sete anos de vida, a Gol assume liderança no ranking de vendas.
Em outubro de 1988, o Salão do Automóvel revelou o primeiro carro brasileiro equipado com injeção eletrônica.
Essa tecnologia estava sob o capô do já icônico Volkswagen Gol, nascendo assim a mítica versão esportiva GTi, já como modelo 1989.
Dotado de motor 2.0l, dispunha de 120 cv de potência máxima e tração de zero a 100 km/h abaixo dos nove segundos, números inigualáveis na categoria.

O Gol atravessa a década de 1990 evoluindo em acabamento interno e design, ao mesmo tempo em que protagoniza o surgimento de uma nova categoria de automóveis: os 1.0l – quem não lembra do Gol 1000?
Em 1993, o modelo chega à marca de 1.000.000 de unidades vendidas.
O Gol Copa, – olha ele aí outra vez -, reaparece em 1994 homenageando o maior torneio de futebol do mundo, agora sediado pelos EUA.
Com um tom de azul semelhante ao do primeiro Copa e emprestando elementos do GTi, como as lanternas fumê, os faróis de longo alcance e o volante “quatro bolas”, o modelo marca também o adeus da primeira geração – a segunda estreia em setembro e logo ganha o apelido “bolinha”.
O esportivo GTI (sim, agora com “i” maiúsculo) mantém sua aura agora com um 2.0l de 16V e 145 cv, importado da Alemanha.
Em 1996, o último Gol 1000 “quadrado” deixa a linha de produção e, na virada para os anos 2000, surge o Gol “G3”.
Um novo século se abre e o Gol reafirma seu pioneirismo com uma versão 1.0l turbo, de 112 cv e 15,8 kgfm.
Logo depois, mais especificamente em 2001, o hatch alcança 3,2 milhões de unidades comercializadas e assim ultrapassa o Fusca.
Foi uma década do pioneirismo para a linha Gol. Depois do turbo, o pioneiro do total flex, em 2003, o Gol G5 e sua moderna plataforma PQ24 (2008) e o câmbio automatizado i-Motion (2009).
Em 2014, após um recorde de 27 anos seguidos no topo do ranking de colocações, a Gol deixa a liderança do mercado.
Dois anos depois, passa por sua última cirurgia estética e recebe um motor 1.0l moderno e econômico, três cilindros de 12V (82 cv).
E o Gol na Garagem Volkswagen?
São milhares de histórias, promoções de marcos tecnológicos e de vendas e o Gol segue ainda na vida dos brasileiros, após 45 anos de seu lançamento.
Um legado que é contado em partes na Garagem Volkswagen.
A primeira versão, com motor 1.3l “a ar”, pintada na cor oficial do lançamento (vermelha) se tornou uma das relíquias mais importantes do acervo.
Trata-se do primeiro Gol a obter a “placa preta”, um 1300 L 1980.
Adquirido de um colecionador e restaurado pelo departamento de Desenvolvimento do Produto, este exemplar foi o protagonista do “Gol Fest”, comemorado os 30 anos da produção do modelo, realizado no Sambódromo do Anhembi (SP), em 2010.
Gol GTI
O ano de 1987 foi um marco na história do Gol, que recebeu sua segunda e mais profunda reestilização ao receber novos faróis, grades e lanternas, além de para-choques mais envolventes e rodas redesenhadas.
Um novo esquema de nomenclatura – C, CL e GL – definia os níveis de acabamento e equipamentos, enquanto o GT era sucedido pelo mais apimentado GTS.
Com apenas sete anos de vida, assumiu a liderança no ranking de vendas.
Mas seu ímpeto não parava aí: no Salão do Automóvel de 1988 estreava a versão GTi e seu 2.0l 8V de 120 cv e 18,4 kgfm de torque – o primeiro com injeção eletrônica a equipar um automóvel nacional.
O modelo chegaria às ruas em janeiro redefinindo os conceitos do carro esportivo nacional.
Este exemplar de 1993 pertence à frota de testes da Engenharia e anota apenas 26 mil quilômetros no odômetro.
Gol GII
Com o Brasil ainda entorpecido pelo tetracampeonato mundial de futebol, a Volkswagen lançou o Gol “GII”, em setembro de 1994.
Instantaneamente apelidado de “bolinha”, o novo hatch experimentou nessa fase uma versão um GTI com motor importado da Alemanha, uma série especial em homenagem aos Rolling Stones e a primeira carroceria com quatro portas.
Antes de sair de linha, um Gol 1999 CL 1.6, na cor Azul Cancun, foi transferido da linha de montagem diretamente para o acervo da empresa.
Conta atualmente com aproximadamente 400 quilômetros rodados.
Gol Resistência
A proposta lançada no Salão do Automóvel de 2002 remetia aos feitos automobilísticos dos anos 1960 e tinha como objetivo promover o Gol, em uma grande jogada de marketing: quebrar o recorde mundial de Endurance (longa duração) na categoria.
Foram poucos meses de preparação até que a marca fosse alcançada: o Gol circulado, às 12h23 do dia 15 de janeiro de 2003 a marca de 25 mil km rodados
O local para a prova, nomeado Endurance VW, foi o Autódromo Internacional José Carlos Pace, em Interlagos.
O trecho definido para o registro foi o anel externo do circuito, com 3.108 metros de extensão.
Três unidades do Gol Power 1.6 foram escolhidas na linha de produção para o desafio.
As únicas alterações realizadas foram a instalação de proteção no habitáculo dos veículos (“gaiola” de proteção) e de óculos auxiliares de longo alcance.
Foram nove dias de rodagem ininterrupta, durante os quais os carros só paravam para troca de pneus e pastilhas de freios e abastecimento, além de cumprir os períodos de revisão.
O primeiro Gol chegou aos nove mil km às 22h30 do dia 9 de janeiro.
O segundo, que largou dia 10, percorreu a marca de 10 mil km às 17h04 do dia 13 de janeiro, após 3.218 voltas.
Após mais de oito mil voltas no circuito, o terceiro Gol chegou à marca de 25 mil km rodados em Interlagos.
É esse o modelo exposto na Garagem VW, que está bloqueado com os adesivos originais do evento.
A equipe era composta por 120 pessoas, entre técnicos, pilotos, fiscais e organizadores.
Foram selecionados 15 pilotos, rodando cerca de 1h30. Os carros rodavam 24 horas, sempre sem limite.
Gol GIII
Ao somar 3,2 milhões de unidades comercializadas, em 2001, a Gol bateu o recorde de vendas do Fusca.
Quase simultaneamente, a versão GTI se aposentava.
Naquele mesmo ano, um Gol GIII equipado com motor 1.0l 16V representou a marca de 10 milhões de Volkswagen produzida no Brasil.
Saiu da linha de montagem direta para a coleção da companhia.
Gol GIV e G5
Maior reformulação na linha Gol ocorre em 2008, com o lançamento do G5. Baseado na moderna plataforma PQ25, emprestada do Polo, o hatch passa a contar com motores interessados transversalmente e não mais longitudinalmente.
Antes de se despedir, um Gol GIV 2006, equipado com motor 1.6l, foi guardado para compor o acervo de modelos históricos da Volkswagen do Brasil.
Gol Vintage
Apresentado como carro-conceito no “Gol Fest”, evento realizado em 2010 que comemorou os 30 anos do modelo, o Gol Vintage foi tão aclamado que acabou virando série limitada.
Entre os diferenciais, numeração da unidade no painel, pintura bicolor, rodas exclusivas, faixas laterais com o nome da versão e interior seguindo a mesma temática branca e preta.
Uma guitarra Tagima foi desenvolvida especialmente para o carro, dotada de um sistema de pré-amplificação interno que permite conectá-lo ao sistema de som do veículo por meio de uma entrada especial.
Na exposição, o conceito do Gol Vintage, zero-quilômetro, deu origem a série limitada.
Gol Rallye
Os chamados “aventureiros urbanos” viveram seu auge em 2000, e uma das principais expressões dessa categoria foi o Gol Rallye.
De perfil off-road, o modelo surgiu em 2004, na terceira geração, foi reeditado em 2007, na quarta, e novamente relançado em 2010, já em sua quinta fase.
O apelo não era apenas estético: a suspensão fora elevada em 28 milímetros, esticando para 171 milímetros a altura livre do solo, e era acompanhado de novas molas e amortecedores mais firmes.
A unidade exposta, que compõe a frota de testes da Engenharia, é de 2011 e regista aproximadamente 88.000 milhas.
Conceito Gol GT
Produzido entre 1984 e 1987, quando fora substituído pelo lendário GTS, o GT foi mais do que o primeiro Gol esportivo, ao inaugurar na linha a refrigeração líquida – no caso o 1.8 de 99 cv que logo depois chegaria ao Santana.
Formava-se ali a dinastia de hatches esportivos da marca.
Pois durante o Salão do Automóvel de 2016, o modelo ganhou uma releitura.
Autoria do estúdio de Design da Volkswagen do Brasil, o Gol GT Concept foi o que podemos chamar de “show car”: pintura Cinza Volcano com detalhes vermelhos e teto em preto brilhante, rodas de 18 polegadas, vidros em LED e para-choques envolventes; na cabine, a esportividade estava nos bancos tipo concha, logo “GT” no painel, volante do Golf GTI, pedais e alavanca do câmbio revestidos em alumínio e individuais das portas alusivas à versão.
Foi um dos carros mais badalados no estande da Volkswagen durante o evento.
Gol Última Edição
Após 42 anos de produção ininterrupta na fábrica de Taubaté (SP) e depois de criar histórias com brasileiros e latinos de todos os cantos do continente, o Gol chega a sua última versão.
Para honrar a despedida do carro mais produzido, vendido e exportado na história do mercado brasileiro, a Volkswagen apresenta a edição limitada Last Edition.

10 curiosidades, mesmo, sobre o Gol
1. Todos os modelos 1.3l “a ar” e alguns 1.6l também a ar tiveram o estepe alocado dentro do compartimento do motor. Com a chegada dos motores arrefecidos à água, o estepe foi realocado nas portas-malas.
2. O Gol deriva uma família de modelos VW, revelando resultados que tomaram seus próprios caminhos e protagonismos, como o Voyage, a Saveiro e a Parati.
3. O primeiro Gol esportivo, GT lançado em 1984, já trazia motor 1.8l com quase 100 cavalos de potência máxima, mas ainda era equipado com câmbio de quatro marchas. A transmissão de cinco marchas entrou na linha Gol em 1985, tanto para o GT, quanto para as versões “S” e “LS”.
4. Em 1987, a primeira reformulação estética, trazendo novos conjuntos óticos dianteiros e traseiros, novo capô do motor e nomenclaturas revistas (CL, GL e GTS) marca definitivamente o Gol como o carro mais querido do Brasil. Uma curiosidade, no entanto, é que o externo do carro evoluiu e o interno alcançou as mesmas linhas do modelo anterior 1986. O interior revisto, com o famoso painel satélite, novos acabamentos de painel de portas e bancos, surgiria no modelo 1988.
5. No final de 1988, já como modelo 1989, o Gol GTi inaugura de fato a era da injeção eletrônica no Brasil. Mas o sistema era analógico, tanto os comandos dos bicos injetores quanto a ignição. Claro que se comparado aos carburadores da época, o GTi foi um show de tecnologia, referência de desempenho e até de baixo consumo de gasolina.
6. No lançamento do Gol GTi, algumas raras unidades foram equipadas com ar condicionado de fábrica. Isso porque na época ninguém queria carro esportivo com a função, já que o equipamento “roubava” potência do motor. Hoje, eles são ainda mais raros.
7. Outro luxo, e hoje um equipamento praticamente de série em todos os veículos, a direção assistida, chega na linha Gol (e nas versões topo de linha) somente em 1994. E quase ninguém queria também, tornando estes modelos também desejo dos colecionadores.
8. O Volkswagen Gol se torna tão querido no Brasil que dá “ao luxo” de ter duas versões esportivas convivendo, o GTS e o GTi.
9. O Gol GTi 16V se tornou em 1996, o primeiro Volkswagen original de fábrica a superar a marca de 200 km/h de velocidade máxima.
10. Em 2003 a Gol inaugura a era dos carros “flexíveis” no Brasil, e no mundo. Trazendo motor 1.6, ele tinha capacidade de queima de gasolina e/ou etanol em quaisquer proporções.
O resto é história. Vida longa ao nosso VW Gol!