Como funciona o processo de blindagem de veículos no Brasil
A blindagem está na história da humanidade há aproximadamente 4.000 anos e passou a ser utilizada quando o homem percebeu que apenas suas habilidades de combate não seriam mais suficientes para deter as formas de ataque cada vez mais elaboradas e letais, graças ao uso de armas como lanças e catapultas.
Os primeiros registros conferem aos chineses o pioneirismo na arte da blindagem. Na Grécia Antiga, surgiram os escudos, já em Roma surgiram as primeiras “vestes blindadas” e na Idade Média às armaduras de metal cobriam os militares da cabeça aos pés. A partir dos anos 20, a blindagem foi deixando de ser apenas um recurso militar e começou a ser adotada também por civis.
No Brasil, os primeiros veículos blindados foram os carros de combate, de transporte de tropas e de reconhecimento lançados a partir de meados dos anos 1960. Na virada dos anos 1980 para os 1990 outras empresas passaram a atuar no segmento da blindagem, dessa vez, voltados para os carros de civis. Desde então, o negócio da blindagem no Brasil foi crescendo e ganhando destaque em nível mundial.

Nos últimos 20 anos, o mercado brasileiro de blindagem amadureceu muito e hoje as blindagens feitas no país são tão boas que viraram o padrão adotado por montadoras internacionais. Além de ser referência, o Brasil também é líder mundial em número de carros blindados per capita no mundo. O país conta com uma frota aproximada de 300 mil blindados, superando cinco vezes o México que é o segundo colocado no ranking.
Em 2021, o mercado nacional bateu mais um recorde de blindagem automotiva. Foram 20.024 veículos blindados, o que representa um crescimento de cerca de 45% em comparação com 2020, de acordo com a ABRABLIN (Associação Brasileira de Blindagem).
“As blindadoras brasileiras não possuem tanta expertise em blindagens nível III e IV, mas somos referência mundial quando o assunto é blindagem de nível III-A. Exportamos carros blindados com esse nível de proteção para países da América Latina, da África e até da Europa. Engenheiros dos mais diversos países vêm ao Brasil para aperfeiçoar seus conhecimentos e aprender novas técnicas”, conta Alex Cirilo, Diretor Industrial da Autostar Blindados e Presidente da Câmara de Blindadores.

Mais de 90% dos carros blindados que circulam no país adotam o nível de proteção III-A, que abrange a maioria das armas de mão e dos calibres encontrados com criminosos, suportando disparos de revólveres 44 Magnum e até de submetralhadoras 9mm. Sendo assim, o serviço de blindagem só pode ser realizado por empresas especializadas, com um Certificado de Registro no Exército Brasileiro e um alvará da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Federação em que estiver localizada.
A blindagem de um veículo é um serviço dividido em cinco fases. A fase inicial é quando são tiradas as medidas dos locais em que serão aplicados os materiais. Esse momento é muito importante para evitar infiltrações, algo que pode comprometer toda a segurança da blindagem.

A segunda fase é a etapa em que são colocados os painéis de aço e as mantas, que são conjuntos de diversas camadas de um tecido chamado aramida, composto por uma trama de fios. Cada fio é um conjunto de filamentos que possuem diferentes resistências mecânicas, dependendo da origem e procedência.
Esses materiais são empregados para realizar a proteção de todas as áreas não transparentes dos veículos. A aramida é cinco vezes mais resistente do que o aço por unidade de peso, além de ser mais leve. Em uma blindagem com nível de proteção III-A, as mantas de proteção balística geralmente são compostas por 8 a 12 camadas de aramida.
Esse material também entra na composição dos pneus, mas isso não tem a ver com a blindagem das rodas porque atualmente não há tecnologia que, de fato, promova a blindagem total do pneu. Os dispositivos mais oferecidos são a cinta de roda, confeccionada em aço inoxidável e o Flats Over, que segue o mesmo princípio da cinta de roda, no entanto, é confeccionado basicamente por uma cinta de borracha bastante espessa.




Na terceira etapa, os vidros convencionais são trocados outros blindados, com lâminas de cristal e polímeros. Um vidro blindado é um “bolo de camadas” que envolve além do vidro em si, materiais como polivinil butiral (filme plástico de alta resistência), policarbonato (plástico muito resistente) e poliuretano (borracha sintética).
Um vidro balístico para blindagens com nível III-A tem de 3 a 4 camadas de vidro, uma de policarbonato e mais três ou quatro camadas de polivinil butiral e de poliuretano e tem uma espessura que varia de 18,8 mm a 21,1 mm. Cada fabricante usa uma combinação diferente desses materiais, mas sempre com o mesmo objetivo de produzir uma barreira com alta transparência, elevada resistência e o menor peso possível.


A quarta fase é a etapa da montagem, em que todas as peças que foram retiradas são recolocadas em seu lugar original. E, por fim, a quinta fase é a finalização, quando é realizada a limpeza e onde são testados o funcionamento de todos os dispositivos mecânicos e eletrônicos do carro. Uma blindagem bem executada, além de oferecer segurança aos passageiros, consegue também preservar as funcionalidades e as características estéticas do veículo, com acabamento minucioso e impecável.

A pandemia gerou uma crise econômica mundial que afetou todos os setores, inclusive a venda de carros e consequentemente o segmento de blindagem. Ainda assim, 2021 apresentou crescimento em comparação ao ano anterior e seguiu em alta no primeiro trimestre desse ano.
Com o avanço da vacinação e consequente controle da pandemia, tudo indica uma melhora para o setor automotivo como um todo. Isso vai se refletir tanto no aumento das vendas de veículos, quanto na expansão do segmento de blindagem, indicando o quanto esse mercado ainda vai evoluir, para que o Brasil continue sendo o primeiro colocado na lista dos países que mais blindam carros no mundo e uma referência no processo de blindagem automotiva.






























































































