E7A é motor elétrico de nova geração desenvolvido em parceria entre Renault e Valeo

Por meio de uma tecnologia de ruptura desenvolvida na França, a nova geração de motores elétricos é ainda mais potente, compacta e verde, cuja criação é resultado da união das expertises do Renault Group e da Valeo.

Graças aos frequentes intercâmbios entre a montadora e o fabricante de componentes automotivos, a parceria iniciada em 2021 rapidamente se transformou em desenvolvimento conjunto.

Cada empresa contribuiu com sua expertise e um componente-chave para o desenvolvimento tecnológico e produção: o Renault Group com o rotor e a Valeo com o estator.

Agora, este motor elétrico de alta tecnologia chamado de E7A está em fase de aprimoramentos e ajustes.

Desde o lançamento do veículo elétrico ZOE, em 2012, a Renault é pioneira e líder em motores elétricos síncronos com rotor bobinado, também conhecidos pela tecnologia EESM (Electrically Excited Synchronous Machine).

O know-how permite que a marca tenha condições de fornecer uma arquitetura completa e integrada para este novo motor elétrico E7A.

Esta tecnologia é 30% mais compacta, mas com uma potência equivalente à dois motores atuais que propulsionam os modelos Megane E-Tech elétrico e Scénic E-Tech elétrico.

Além do fato de o rotor não utilizar terras raras, permitindo reduzir em 30% o impacto nas emissões de carbono.

Optando pelo uso do rotor bobinado em comparação com a tecnologia de motores elétricos com ímãs permanentes, o motor da Renault oferece melhor rendimento.

Assegurando o fornecimento pela supply chain e ainda mantendo sua independência em relação aos países produtores de terras raras e ímãs.

Este motor elétrico de terceira geração também vai contribuir para diminuir o tempo de recarga da bateria, já que a tensão do sistema será de 800 volts, contra o padrão atual de 400 volts.

Graças ao estator fornecido pela Valeo, o novo motor elétrico E7A será mais potente e eficiente, desenvolvendo até 200 kW, o que significa maior potência sem a necessidade de utilizar mais energia elétrica.

Além disso, o motor utiliza o sistema de bobinagem de fios de cobre conhecido como Hairpin, uma tecnologia da Valeo desde 2010.

O motor de nova geração ainda está em fase de desenvolvimento e outras etapas ainda devem ser cumpridas até que seja iniciada a produção em série.

A produção em grande escala está prevista para o final de 2027, na fábrica de Cléon do Renault Group.

Bobinagem de um motor 6AM na fábrica de Cléon, onde serão produzidos os motores elétricos E7A, em 2027.

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Le Mans, 100 anos: Como as 24 Horas se tornaram a corrida mais tradicional do mundo

Criada em 1923, as 24 Horas de Le Mans completam 100 anos em 2023.

Apesar de ser apenas a 91ª edição da famosa prova, realizada em trechos de estradas e de autódromo permanente, no Circuito de la Sarthe, a ocasião é também bastante especial.

Isso devido o grid pela primeira vez em muitos anos estar em grande forma, com a entrada de diversas montadoras como Ferrari, Porsche, Peugeot e Cadillac se juntando à Toyota, que chega como a favorita para a edição deste ano.

Cena do dia 7, nas 24 Horas de Le Mans
(Foto: Paulo Maria DPPI)

Para 2024 há ainda a promessa da chegada à categoria Hypercar de nomes de peso como BMW, Alpine e Lamborghini.

O que para muitos marca o início de uma nova “era de ouro” das corridas de longa duração e em especial das 24 Horas de Le Mans.

O brasileiro André Negrão, piloto do Alpine #35, disputa pela sétima vez a corrida, vencida por ele na categoria LMP2 em 2018 e 2019.

O piloto acredita que esse é um grande momento estar mais uma vez no grid de Le Mans, principalmente por contar com a presença de tantos bons pilotos e bons carros.

“Vamos buscar um bom resultado na LMP2 neste ano. Eu já venci duas vezes a prova por essa categoria. Mas, é claro, é uma prova de 24 horas. Tudo e sempre pode acontecer. E é por isso que você vê muitas equipes comemorando apenas o fato de ter terminado a corrida. Muita gente até chorando. É um grande esforço para todos, mas se você consegue chegar ao fim sempre se sente recompensado”, disse André Negrão. 

Cena do dia 7, nas 24 Horas de Le Mans (Foto: Paulo Maria DPPI)

Organizada pelo ACO (Automobile Club de l’Ouest), a primeira prova ocorreu em 26 e 27 de maio de 1923.

Inicialmente, os organizadores queriam promover uma corrida que testasse a ainda incipiente tecnologia dos automóveis, com muitas pequenas fábricas espalhadas especialmente pela Europa.

O formato era diferente: o carro vencedor seria aquele que conseguisse cobrir a maior distância após três edições das 24 horas.

Mas a ideia foi abandonada em 1928, com os vencedores de cada edição sendo reconhecidos como os ganhadores.

A prova não foi realizada em nove anos entre 1923 e 2023.

Primeiro em 1936, devido a uma greve geral na França, e depois pela Segunda Guerra Mundial, entre 1940 e 1948, quando a pista também precisou ser reconstruída. 

Cena do dia 7, nas 24 Horas de Le Mans (Foto: Joao Filipe DPPI)

Com a retomada da prova em 1949, diversas montadoras passaram a se interessar pela competição.

O ano marcou também a primeira vitória da Ferrari, com um modelo 166MM, carro que inspirou a canção “Red Barchetta”, da banda canadense Rush.

Em 1953, com a formação do Mundial de Protótipos, a prova ganhou um campeonato organizado que orbitava em torno dela, como acontece até hoje, nos últimos anos como Mundial de Endurance.

A edição de 1955 viu acontecer um grande susto: a maior tragédia da história do automobilismo.

O francês Pierre Levegh bateu na reta principal. Seu carro foi parar em uma área de espectadores e matou 84 pessoas.

O que motivou preocupações e melhorias de segurança e também o abandono das corridas por parte da Mercedes Benz e, um pouco mais tarde, a proibição de provas na Suíça.

Cena do dia 7, nas 24 Horas de Le Mans (Foto: Paulo Maria DPPI)

Com o avanço dos carros, nos anos 1960 os modelos chegavam aos 320 km/h na reta Mulsanne, ainda sem chicanes, que foram apenas colocadas em 1990.

Neste período, uma das grandes histórias do automobilismo se criou em Le Mans, quando a Ford derrotou a Ferrari na prova francesa em 1966, episódio retratado no filme “Ford vs. Ferrari” (2019).

Para aumentar o peso dessa saga, a marca de Maranello, que ganhou de 1960 até 1965, não vence as 24 Horas de Le Mans desde então.

Neste período, a popularidade da prova aumentou, com edições chegando a ter mais de 300 mil espectadores.

Nos anos 1970, a famosa largada com os pilotos correndo até os carros foi abandonada em detrimento de mais segurança, primeiramente por uma largada parada (1970) e posteriormente em movimento (1971).

O segundo grande momento das 24 Horas de Le Mans veio nos anos 1980 com a criação do Grupo C, que uniu regulamentos de campeonatos pelo mundo.

Nesta época, diversas montadoras levaram carros que até hoje são relembrados com carinho pelos fãs para a corrida francesa.

Cena do dia 7, nas 24 Horas de Le Mans (Foto: Paulo Maria DPPI)

Entre as marcas estava a Porsche, que conseguiu a façanha de em 1983 fazer nove dos 10 primeiros colocados na prova.

Além de anotar a maior média de velocidade da história em uma volta em 1985, 251,815 km/h.

Outras fábricas que construíram seus nomes na corrida e fizeram modelos hoje considerados lendários são Jaguar, Mazda (primeira japonesa a vencer, em 1991), Toyota e Nissan.

Tem ainda a Mercedes por meio da equipe Sauber, e a Peugeot (dona do recorde de velocidade da reta Mulsanne em 1988, 405 km/h).

Neste período, a FIA decidiu impor aos times do Grupo C, em 1992, que apenas carros com motores 3.5L e com arquitetura em V competissem no Mundial de Protótipos, igualando seu regulamento ao da Fórmula 1.

Os custos subiram excessivamente e, assim, as montadoras tiveram que fazer uma opção e iniciaram uma retirada do campeonato.

E por isso, em 1993 o campeonato foi cancelado devido à falta de participantes. 

Cena do dia 7, nas 24 Horas de Le Mans (Foto: Joao Filipe DPPI)

As 24 Horas de Le Mans ficaram sem um campeonato oficial entre 1993 e 2010.

Em 2011 a prova contou para o Intercontinental Le Mans Cup, porém em 2012 um novo campeonato nasceu para contemplar a prova.

Esse campeonato foi o Mundial de Endurance, ou World Endurance Championship, que permanece até hoje.

Desde sua formação, o WEC possui entre três e quatro classes, englobando também carros de GT, os superesportivos vendidos ao público que se popularizaram na prova após o fim do Grupo C.

Nesta fase, a Audi iniciou dominando (vencendo 13 edições entre 2000 e 2014) antes de sair do campeonato em 2016.

Após isso, a Porsche conquistou as últimas três de suas 19 vitórias em Le Mans, recorde para uma montadora, antes de também sair no fim de 2017.

Já nos últimos cinco anos a Toyota, que amargou uma derrota na última volta em 2016 para a Porsche após uma falha mecânica, conquistou cinco vitórias seguidas.

As duas primeiras com o espanhol Fernando Alonso, bicampeão de Fórmula 1, ao volante.

A marca japonesa chega como grande favorita em 2023, mas agora com nomes de peso a seu lado, como Ferrari, Porsche, Peugeot e Cadillac.

Elas competem na categoria dos Hipercarros, criada em 2021 para substituir a antiga LMP1, a principal do grid. 

Cena do dia 7, nas 24 Horas de Le Mans (Foto: Julien Delfosse DPPI)

Até hoje, 35 pilotos brasileiros já participaram das 24 Horas de Le Mans.

Porém, se por um lado nunca um deles chegou ao lugar mais alto do pódio na categoria geral, vários já estiveram no top 3 e quatro conseguiram vencer a corrida em classes intermediárias.

André Negrão e Daniel Serra, que estarão no grid da prova neste ano, foram os últimos a triunfar, em 2019.

Negrão pela LMP2, segunda categoria mais importante e Serra pela LMGTE-Pro.

As vitórias de ambos foram suas segundas na tradicional corrida francesa.

André ganhou pela primeira vez em 2018 (LMP2), já Serra faturou pela primeira vez as 24 Horas em 2017 (LMGTE-Pro).

André Negrão

Daniel Serra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Além dos dois, Thomas Erdos, primeiro vencedor brasileiro em Le Mans, ganhou na classe LMP2 em 2005 e 2006, com Jaime Melo na GT2 em 2008 e 2009.

Já em pódios gerais, o Brasil foi representado por seis nomes na história.

O mais bem-sucedido e o único a repetir pódios é Lucas Di Grassi, terceiro em 2013 e 2016 e segundo em 2014.

O primeiro pódio da história foi de José Carlos Pace em 1973, com o campeão do Mundial de Protótipos de 1987, Raul Boesel, sendo segundo em 1991.

Já em 2008, foi a vez de Ricardo Zonta levar a bandeira do Brasil ao terceiro lugar do pódio.

Em 2020, Bruno Senna foi o segundo e André Negrão em 2021 levou pela última vez o Brasil a um pódio geral, em terceiro. 

Thomas Erdos e Bruno Senna

 

 

 

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Citroën Méhari: 55 anos de uma trajetória que segue inspirando

Foi em 16 de maio de 1968, há 55 anos, no auge dos protestos de estudantes na França, que a Citroën revelou seu novo veículo no campo de golfe de Deauville: o Méhari.

O modelo de estrutura diferenciada oferecia de 28 a 32 cv de potência, tinha carroceria de plástico ABS (acrilonitrila butadieno estireno) e foi projetado por Roland de La Poype.

Construído sobre a arquitetura do Citroën Dyane 6, a novidade foi apresentada com o nome de Dyane 6 Méhari em seu lançamento.

A produção perdurou por quase 20 anos, entre 1968 e 1987, e foram construídas 144.953 unidades (incluindo 1.213 Méhari 4×4).

Isso significou um sucesso surpreendente para um veículo um tanto quanto incomum.

O Méhari foi produzido, em sua maior parte, na fábrica da Citroën em Forest, na Bélgica, mas também em outras sete fábricas na França, Espanha e Portugal.

 

 

 

 

 

 

O nome Méhari vem do nome dado aos dromedários no norte da África e no Saara.

Esses animais são conhecidos por sua habilidade, sua resistência, sua sobriedade e sua capacidade de transportar mercadorias e passageiros por longas distâncias.

Esse nome é, portanto, muito representativo do modelo da Citroën conhecido por sua adaptação a todos os terrenos.

Externamente, o Méhari com seu teto removível não aparentava ser adequado para todas as estações.

No entanto, graças a uma cobertura específica para as épocas mais geladas, o carro é completamente vedado, tornando-o adequado para uso durante o ano todo.

O Méhari é altamente modular, podendo transformar parte de seu assoalho em um encosto, o que permite adicionar dois assentos na parte traseira e, assim, acomodar até quatro passageiros.

Ele pode ser usado em uma ampla gama de situações, transportando cargas de diferentes volumes junto com passageiros.

A carroceria do Méhari é composta de apenas 11 peças facilmente reparáveis e a higienização pode ser feita por meio de uma simples lavagem com água, tanto por dentro quanto por fora.

Isso torna o carro fácil de manter e acessível para seus clientes.

Lembrança de infância para toda uma geração, esse conceito atípico, modular e econômico, projetado com materiais modernos para a época e uma carroceria inovadora, tornou-se um verdadeiro ícone automotivo ao longo dos anos.

Embora tenha sido produzido por quase 20 anos, o Méhari teve apenas três versões diferentes, incluindo duas edições limitadas.

Em 1983, foram lançadas duas edições especiais. Primeiro, o Méhari Plage, com seu visual lúdico e um chamativo tom amarelo, que foi vendido na Espanha e em Portugal.

E, em abril de 1983, o Méhari Azur foi lançado nos mercados francês, italiano e português e limitado a apenas 700 unidades.

Em 1979, a Citroën introduziu uma nova variante com a versão 4×4, que oferecia uma liberdade quase inigualável até hoje.

O Méhari foi um veículo de interesse especial para órgãos públicos, como a polícia, alfândega, aeroportos e muitos outros, mas também para lojistas, artesãos e milhares de clientes particulares.

Ele também teve uma longa carreira no exército francês, que encomendou um total de 11.457 Méhari entre 1972 e 1987.

O Méhari 4×4 também teve sua atuação no suporte a emergências. Em 1980, dez unidades do modelo foram fretadas para prestar assistência médica ao longo do percurso do Rally Paris-Dakar em 1980.

No cinema, foi um dos destaques do filme Le Gendarme de Saint Tropez, de 1964.

 

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