Famílias promovem renovação no automobilismo

Ver dois membros de uma mesma família em um pódio no automobilismo não é um fato dos mais comuns.

E é ainda mais raro quando se trata de pai e filha.

Na Turismo Nacional, categoria que reúne alguns dos carros mais vendidos do Brasil, Ewerson Dias (56 anos) e sua filha, Bruna (29), travaram no último domingo (28/05) uma valente disputa por posição.

Eles terminaram na quarta e quinta colocações da divisão B, compartilhando pela primeira vez o mesmo pódio.

Um banho de champanhe literalmente em família.

Bruna e Ewerson Dias: duelo entre filha e pai na Turismo Nacional em Tarumã
(Duda Bairros/Vicar)

A prova foi disputada no Autódromo Internacional de Tarumã, na gaúcha Viamão, região da Grande Porto Alegre.

A façanha em família foi também a estreia de Bruna na Turismo Nacional.

A mineira nascida em Coromandel é a única competidora no grid da categoria nesta temporada, e integra com o pai a equipe Ricco Motorsport.

O automobilismo brasileiro vive um momento em que as famílias promovem uma renovação.

Os pilotos mais experientes, alguns de grande renome, incentivam a nova geração a entrar na pista e buscar uma carreira profissional.

É o caso também dos clãs Baptista, Barrichello, Giaffone e Lopes (veja detalhes abaixo).

O caso da família Dias é o mais recente.

Bruna Dias foi ao pódio em sua etapa de estreia na Turismo Nacional
(Duda Bairros/Vicar)

“Fico muito feliz por dividir a equipe com a Bruna, mas quando colocamos o capacete é cada um por si. Realmente, estou muito grato por ela estar aqui. Que em breve tenhamos muito mais mulheres conosco, o que é muito importante. Na corrida, nós andamos juntos por algumas voltas e deixei uma emoção extra para o finalzinho. Dei o pé [no acelerador] e passei por ela. Até para provar que aqui é uma competição, independentemente de ser pai e filha, e é assim que funciona”, incentivou Ewerson Dias.

“Aqui dentro do box, nós somos família. Lá na pista, é diferente. Mas aconselho pais pilotos e suas filhas a fazerem o mesmo. Poder correr e ter o pai ao nosso lado não tem preço”, disse Bruna.

Rubens Barrichello (51) é o patriarca de uma das famílias de maior destaque recente no automobilismo nacional.

Bicampeão da Stock Car, Rubinho é pai de Eduardo (21 anos) e Fernando (17), ou Dudu e Fefo, como também são conhecidos.

Com Dudu, Rubens forma em 2023 a primeira dupla de pai e filho da principal categoria do automobilismo nacional, na equipe Full Time Sports.

Na última etapa, em Tarumã, Barrichello (pai) foi do drama à glória: depois da preocupação com o forte acidente sofrido pelo filho na sexta-feira.

O duas vezes vice-campeão mundial de Fórmula 1 comemorou com Dudu a vitória emblemática na Corrida 2 no autódromo gaúcho após ter largado em 19º no domingo, 21 de maio.

Rubens, Fefo e Dudu no emocionante pódio no BRB Fórmula 4 Brasil em Interlagos
(Duda Bairros/Vicar)

No ano passado, Barrichello foi a grande referência para o caçula, Fefo, na estreia pelo BRB Fórmula 4 Brasil Credenciado pela FIA.

Não foram raras as vezes em que Rubinho se emocionou com as conquistas do filho, que registrou duas vitórias na categoria, ambas em Interlagos.

Rubens ainda comemorou os feitos do sobrinho Felipe Bartz, filho de Renata, sua irmã.

Depois de ter vencido duas provas na F-4 Brasil ano passado, atualmente ‘Pipe’ Barrichello Bartz corre na Stock Series, categoria de acesso à Stock Car.

Já Fefo disputa a Fórmula 4 da Espanha.

Rubens e Dudu formam a única dupla pai e filho na Stock Car
(Duda Bairros/Stock Car)

Quem também se emocionou com os feitos do filho foi Felipe Giaffone (48).

Ex-piloto da Indy e atualmente em ação no grid da Copa Truck, o comentarista de Fórmula 1 e Stock Car viu de perto as três vitórias do filho Nicolas (18 anos) na Fórmula 4 Brasil.

Ele fez questão de entregar o troféu nas mãos de Nic.

Nicolas é a terceira geração de uma família que se destaca nas pistas do Brasil há décadas.

Tio de Felipe, Affonso Giaffone Filho foi o primeiro piloto a vencer uma corrida da Stock Car, em 22 de abril de 1979, em Tarumã, e foi campeão da categoria em 1981.

O irmão de Affonso, Zeca Giaffone, pai de Felipe e avô de Nic, faturou o título da Pro em 1987.

Depois de fazer carreira na F-Indy, Felipe foi campeão da Copa Truck em 2017 e está entre os protagonistas da categoria dos caminhões.

Nic e Felipe Giaffone: 2ª e 3ª gerações de uma família vitoriosa nas pistas
(Duda Bairros/Vicar)

Outra família que trouxe a nova geração para a pista é o clã Lopes.

Filho do piloto da Copa Truck Luiz Lopes (58), Luan competiu em 2022 no BRB Fórmula 4 Brasil.

O paulista de 18 anos agora se dedica à sua segunda temporada na categoria-escola brasileira e foi um dos destaques da primeira etapa, com dois pódios em três corridas em Interlagos.

Piloto da Copa Truck, Luiz Lopes é pai de Luan, que corre na Fórmula 4 Brasil
(Arquivo Pessoal/Luan Lopes)

A Stock Car possui uma incrível coincidência: o grid conta com duas famílias Baptista distintas.

O primeiro Baptista a entrar no campeonato foi Bruno (26 anos), em 2018, filho de Adalberto (54), que atualmente compete no TCR South America.

Os dois fizeram dupla no FIA Motorsport Games de 2022, evento realizado na França.

Outro membro da família na Stock Car é Rodrigo (26), ou ‘Digo’ Baptista, primo de Bruno.

Já Ricardo Baptista (46) é irmão de Adalberto (e, portanto, tio de Bruno e Digo) e está em ação atualmente no Endurance Brasil.

Irmãos Felipe e Vitor Baptista conquistaram os últimos títulos na Stock Series
(Rodrigo Guimarães/KTF Sports)

Vitor (25) e Felipe Baptista (20) integram outra família de campeões das pistas.

Os dois conquistaram títulos da Stock Series nos últimos anos.

O mais velho faturou o campeonato da divisão de acesso em 2022, exatamente um ano depois de Felipe consolidar a conquista na Series.

O caçula dos Baptista venceu sua primeira corrida na Pro na etapa final do ano passado, no Autódromo de Interlagos.

Mas uma coisa todos os Baptista da Stock têm em comum: todos são jovens de grande talento desta nova geração.

Bruno e Adalberto Baptista em ação no FIA Motorsport Games, em 2022
(Akkodis/ASP Team)

Família Baptista
Pai: Adalberto Baptista, 54 anos, TCR South America
Filho: Bruno Baptista, 26, Stock Car
Sobrinho: Rodrigo Baptista, 26, Stock Car
Irmão/tio: Ricardo Baptista, 46, Endurance Brasil

Família Barrichello
Pai: Rubens Barrichello, 51 anos, Stock Car
Filhos: Dudu Barrichello, 21, Stock Car; Fefo Barrichello, 17, Fórmula 4 Espanhola
Sobrinho: Felipe Barrichello Bartz, 18, Stock Series

Família Dias

Pai: Ewerson Dias, 56 anos, Turismo Nacional
Filha: Bruna Dias, 29, Turismo Nacional

Família Giaffone
Pai:
 Felipe Giaffone, 48 anos, Copa Truck
Filho: Nicolas Giaffone, 18, USF Juniors

Família Lopes
Pai:
 Luiz Lopes, 58 anos, Copa Truck
Filho: Luan Lopes, 18, BRB Fórmula 4 Brasil

Família Rodrigues Baptista
Irmãos: Vitor Baptista, 25 anos, atual campeão da Stock Series, e Felipe Baptista, 20, Stock Car

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McLaren Racing comemora Tríplice Coroa com decorações especiais nas 500 Milhas de Indianápolis

A McLaren Racing produziu decorações especiais para os carros da equipe Arrow McLaren na 107ª edição das 500 Milhas de Indianapolis.

Tudo isso para celebrar a histórica conquista da Tríplice Coroa como parte de seu 60º aniversário.

A equipe tem quatro carros inscritos na corrida, o quarto representará a conquista coletiva e será pilotado pelo brasileiro Tony Kanaan.

O piloto fará sua despedida da Fórmula Indy na corrida que acontecerá no dia 28 de maio.

Os três carros da McLaren com pinturas alusivas à Tríplice Coroa (McLaren Racing)

Tony Kanaan testa o quarto carro da McLaren; brasileiro fará sua última Indy 500 (IndyCar Media/Joe Skibinski)

 

 

 

 

 

 

 

 

A Tríplice Coroa é amplamente reconhecida como a maior façanha do automobilismo.

Consiste em vencer as três mais prestigiosas corridas das pistas internacionais: o GP de Mônaco de Fórmula 1, as 500 Milhas de Indianápolis e as 24 Horas de Le Mans.

No caso da McLaren Racing, essas conquistas aconteceram algumas vezes.

A primeira na Indy 500 de 1974 com Johnny Rutherford, no GP de Mônaco de 1984 com Alain Prost e nas 24 Horas de Le Mans de 1995 com J.J. Lehto, Yannick Dalmas e Masanori Sekiya.

Emblema comemorativo da Tríplice Coroa em um dos carros da McLaren
(IndyCar Media/Joe Skibinski)

O Arrow McLaren nº 5 pilotado por Pato O’Ward terá decoração toda em preto em homenagem ao F1 GTR que ganhou as 24 Horas de Le Mans logo na primeira tentativa da McLaren.

O NTT DATA Arrow McLaren nº 6 pilotado por Felix Rosenqvist levará a representação da icônica pintura do MP4/2 com o qual Alain Prost venceu o GP de Mônaco pela primeira vez pela McLaren.

Carro de Pato O’Ward: preto, como o McLaren F1 GTR vencedor em Le Mans em 1995 (McLaren Racing)

Carro de Felix Rosenqvist: cores da vitória da McLaren no GP de Mônaco de 1984 (McLaren Racing)

 

 

 

 

 

 

 

O VELO Arrow McLaren Chevrolet nº 7 de Alexander Rossi correrá totalmente na cor papaia para lembrar o M16C/D que em 1974 garantiu a Johnny Rutherford a primeira vitória da McLaren nas 500 Milhas de Indianapolis.

Tony Kanaan alinhará o carro nº 66 da SmartStop Arrow McLaren Chevrolet com uma decoração alusiva à tríplice coroa.

No começo do ano, Kanaan anunciou que esta seria sua última participação na Indy 500.

Carro de Alexander Rossi na cor papaia, a mesma do vencedor da Indy 500 em 1974
(Divulgação)

Tony Kanaan durante o Open Test para as 500 Milhas de Indianápolis (Divulgação)

 

 

 

 

 

 

 

Todas essas ações integram a comemoração dos 60 anos da McLaren em 2023.

Honrando seus icônicos momentos na história, celebrando algumas de suas mais notáveis conquistas e o orgulho legado pela equipe do fundador Bruce McLaren.

Os fãs poderão tomar parte das celebrações por meio da edição limitada de merchandise da Tríplice Coroa, com peças selecionadas à venda na McLaren Store e no site do Indianapolis Motor Speedway ao longo da semana da Indy 500.

Uma variedade de peças especiais feitas em colaboração com marcas como Mitchell & Ness, New Era e Castore e artigos como bonés, malhas e blusas com capuz sob medida ao estilo Tríplice Coroa.

Pato O’Ward durante o Open Test para as 500 Milhas de Indianápolis (IndyCar Media/Joe Skibinski)

“Como fabricante, temos orgulho da conquista da prestigiosa Tríplice Coroa. Em nosso 60º aniversário, estamos jogando luz sobre o legado da equipe construída por Bruce McLaren e do papel que isso representa em nossas ambições futuras para o time. Como fã da McLaren desde sempre, lembro muito bem da dramática vitória de Alain Prost em Mônaco em 1984 e o incrível momento em que a equipe ganhou em Le Mans logo na estreia. Ao mesmo tempo, a primeira vitória de Johnny Rutherford nas 500 Milhas na cor papaia é um dos momentos mais importantes da história da McLaren Racing. Estou ansioso para ver nossos quatro carros levando as cores das vitórias na Tríplice Coroa na Indy 500 deste ano”, afirma Zak Brown, CEO da McLaren Racing.

Felix Rosenqvist durante o Open Test para as 500 Milhas de Indianápolis
(IndyCar Media/Joe Skibinski)

“Gosto de encorajar a equipe toda vez que eles vestem a camiseta de corrida na cor papaia dizendo ‘pensem na incrível conquista do time e o que significa fazer parte dessa rica história’. Esse significado será ainda maior em maio, quando levarmos nossos carros para o grid das 500 Milhas de Indianapolis com essa esplêndida decoração honrando o legado da Tríplice Coroa da McLaren Racing”, afirma Gavin Ward, diretor esportivo da Arrow McLaren.

Alexander Rossi durante o Open Test para as 500 Milhas de Indianápolis
(IndyCar Media/Joe Skibinski)

 

 

 

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Três décadas formando talentos: os 30 anos de Stock Series

Lewis Hamilton, Tony Kanaan e Cacá Bueno têm alguns pontos em comum.

Os três são grandes nomes do automobilismo e têm nas suas prateleiras uma galeria de troféus e títulos conquistados.

Outro fato que une os pilotos é que todos foram formados em categorias de acesso antes de atingirem o sucesso nas suas respectivas carreiras.

(Fernanda Freixosa/Stock Car)

Tentando chegar à F-1, Hamilton aprendeu sua arte enquanto conquistava o título da antiga GP2, atualmente chamada Fórmula 2, em 2006.

Tony Kanaan foi campeão da Indy Lights em 1997, o que o ajudou a chegar à F-Indy.

No mesmo ano, Cacá Bueno ergueu o troféu de campeão da Stock B, chamada hoje de Stock Series, o que abriu o caminho para sua carreira na Stock Car Pro Series.

Lewis Hamilton campeão do GP2 em 2006

Tony Kanaan no Indy Lights em 1997 (Foto: LAT Photographic)

 

 

 

 

 

 

 

Completando 30 anos de existência em 2023, a Stock Series já formou cerca de 400 pilotos.

A categoria disputará no próximo domingo, em Tarumã, a segunda etapa da temporada.

Em meio a um ano de comemoração, os jovens talentos têm outras boas razões para tentar o título.

Atualmente, além de formar pilotos em alto nível, a categoria também concede ao campeão o maior prêmio da história do automobilismo brasileiro: uma bolsa equivalente a R$ 2,5 milhões, equivalente ao custo de uma temporada completa na Stock Car Pro Series.

(Fernanda Freixosa/Stock Car)

Em todo o mundo, as divisões de acesso nasceram com o objetivo principal de oferecer espaço e lapidar novos talentos que visam chegar às categorias de ponta.

O último degrau antes da Stock Car é a Stock Series. Fundada em 1993, com 30 anos a Stock Series é a divisão de acesso mais longeva da história do automobilismo brasileiro.

Dos últimos 19 títulos colocados em jogo pela Stock principal, 13 foram conquistados por pilotos formados na Series.

(Fernanda Freixosa/Stock Car)

Alguns dos centenas de pilotos formados na Stock Series alcançaram enorme sucesso.

Além do pentacampeão Cacá Bueno, a categoria formou nomes como o tricampeão Daniel Serra e os campeões Felipe Fraga, Marcos Gomes e Gabriel Casagrande.

A Series forjou ainda muitos outros vencedores para a Pro: Thiago Camilo (tricampeão da Corrida do Milhão), Guilherme Salas, Gaetano Di Mauro e Felipe Baptista estão entre eles.

(Marcelo Machado de Melo/Stock Car)

Veja abaixo marcos importantes registrados pela Stock Series para o automobilismo brasileiro:

Stock Series
Fundação: 1993
Carro de estreia: Chevrolet Omega (monobloco de fábrica)
Primeiros campeões: Carlos Col / Georges “Grego” Lemonias
Carro atual: Chevrolet Cruze Stock Series (estrutura tubular)
Campeão 2022: Vitor Baptista
Custo por temporada: máximo de R$ 750 mil
Prêmio ao campeão: equivalente a R$ 2,5 milhões
Corridas em 2023:
 18
Alguns campeões na Stock principal: Cacá Bueno (2006, 2007, 2009, 2011, 2012), Daniel Serra (2017, 2018, 2019), Marcos Gomes (2015), Felipe Fraga (2016) e Gabriel Casagrande (2021)
Alguns destaques: Thiago Camilo (tricampeão da Corrida do Milhão), Felipe Baptista, Guilherme Salas, Gaetano Di Mauro – todos vencedores de corridas na Stock Pro
Pilotos formados: Mais de 400 (estimativa)

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