Dakar: o lado feminino do maior desafio do mundo

Em 2023, a imprensa brasileira marca presença na 45ª edição do Rally Dakar somente com a repórter Letícia Datena.

Não há outros jornalistas do país acompanhando a prova, que reúne no total competidores de 68 nacionalidades na Arábia Saudita.

Curiosa e apaixonada pelo esporte, Letícia deu de cara com uma realidade que não esperava: a forte presença feminina no maior desafio do mundo, que vem sendo disputado desde o dia 31 de dezembro nos desertos daquela região do Oriente Médio.

“Ao todo, são 51 atletas espalhadas em seis categorias. Eu acho sensacional que cada vez mais mulheres estejam se aventurando na versão mais radical de um esporte extremamente físico, como é o rally cross-country. Pilotos e navegadores correm em média 400km por dia em pleno deserto, escalando dunas de até 300m. Terminam o dia literalmente moídos. Além de estar bem preparado, é preciso ter coragem. E isso nós, mulheres, temos de sobra. O Dakar vai cruzar uns 8.500km até o final da corrida, no dia 15 de janeiro. Nós já andamos cerca de 70% disso. É uma prova que judia da gente, precisa realmente amar velocidade para correr um Dakar. E as mulheres adoram esse desafio. Ter 51 delas aqui me diz que estamos chegando com força, o rally já é nosso território também”, conclui a repórter, filha do apresentador José Luis Datena, que faz a cobertura do evento pela TV Band e revista Forbes.

O piloto brasileiro Lucas Moraes e a jornalista Letícia Datena no Dakar 2023

As mulheres, na verdade, já registraram grandes momentos na trajetória do Dakar, o que chama a atenção agora é a quantidade e a disposição de brigar de igual para igual com os marmanjos de todas as categorias.

Mas, já em 2001, a alemã Jutta Kleinschimidt mostrou o caminho vencendo a prova na categoria principal, a dos carros, ao lado do navegador e conterrâneo Andreas Schulz.

“Aqui, todo mundo sabe que as mulheres vieram pra ganhar. Como é o caso dos homens, algumas possuem currículos fantásticos no rally e outras estão em evolução. Mas de maneira geral elas estão aqui para conquistar o título máximo do nosso esporte, que é vencer essa prova. Todos os dias, no Dakar, temos provas de que talento não tem sexo, idade ou cor de pele. Essa é uma das magias dessa competição”, diz o brasileiro Lucas Moraes, que vem sendo a principal revelação do Dakar 2023.

Pâmela e Sachs em ação durante etapa do Dakar 2023
(Magnus Torquato/Fotop)

Em 2023, a catarinense Pâmela Bozzano, de 33 anos, se tornou a primeira mulher do Brasil a competir no Dakar como piloto.

A bordo de um Can-Am Maverick X3 da categoria Protótipos Leves, ela cruza os desertos da Arábia ao lado do navegador Carlos Sachs. Ex-atleta de marcha atlética, Pâmela iniciou no rally por brincadeira em 2020, influenciada pelo marido, Ênio Bozzano.

“Meu esposo me perguntou se não queria ser navegadora dele. Eu gostei da ideia, mas logo percebi que queria acelerar, frear… pilotar mesmo. Ele gostou da ideia, me incentivou e arrumou um carro pra testar. Tempos depois fomos para o Jalapão, um deserto no Tocantins, disputar minha primeira corrida”, conta Bozzano.

Pâmela levou a sério o convite, se destacou e conquistou bons resultados. Em 2022, venceu o Rally RN1500, um dos mais tradicionais do país, e também o Rally Jalapão, ambos na subcategoria de UTVs na qual competiu.

Mas a maior conquista foi a vitória na classe UTV3 do Rally dos Sertões e com Ênio na função de navegador. Na Argentina, Pâmela ainda foi segunda colocada no competitivo SARR (South American Rally Race) e quinta na classificação geral dos UTVs.

Mas a primeira brasileira a competir no Dakar foi a jornalista Leilane Neubarth, que em 1999 foi a navegadora na tripulação do caminhão conduzido por André Azevedo, ao lado do mecânico tcheco Tomas Tomecek.

O trio obteve duas vitórias em especiais e chegou ao terceiro lugar na categoria caminhões do Dakar daquela temporada.

Pâmela Bozzano e o navegador Carlos Sachs diante do Can-Am Maverick X3
(Vinícius Branca/Fotop)

Entre as 51 mulheres inscritas no Dakar, a maior delegação é da França com 12 representantes.

Na atual edição, as principais estrelas são as espanholas Cristina Gutierrez, que se tornou a primeira mulher a vencer uma especial no Dakar desde Kleinschmidt, e Laia Sanz, que é dona do melhor resultado de uma mulher nas motos no Dakar, um nono lugar em 2015. Gutierrez foi terceira colocada entre os UTVs no ano passado.

As duas correm paralelamente no Extreme E, competição de rally de carros elétricos no qual as equipes são divididas com um piloto masculino e outro feminino.

Gutierrez tem feito bonito: é a campeã de 2022 da Extreme E, ao lado do lendário francês Sebastien Loeb. Ambos competiram pelo time de Lewis Hamilton, o X44.

Sachs, Pâmela e Moraes posam ao lado do símbolo do Dakar antes da largada
(Marcelo Machado de Melo/Fotop)

51 Mulheres no Dakar 2023

Motos: Mirjam Pol (Holanda), Sandra Gomez Cantero (Espanha), Kristen Landman (África do Sul)
Carros (Pilotos): Laia Sanz (Espanha), Andrea Lafarja (Paraguai), Magdalena Zajak (Polônia)
Carros (Navegadoras): Monica Plaza Vazquez (Espanha), Valerie Panagiotis (França), Tessa Rooth (Holanda)
Protótipos Leves (Pilotos): Cristina Gutierrez (Espanha), Annett Fischer (Alemanha), Camelia Liparoti (Itália), Dania Akeel (Arábia Saudita), Mashael Alobaidan (Arábia Saudita), Merce Martin (Espanha), Anja Van Loon (Holanda), Aliyyah Koloc (Emirados Árabes Unidos), Pâmela Bozzano (Brasil), Patricia Pita Gago (Uruguai)
Protótipos Leves (Navegadoras): Annie Seel (Suécia), Lisette Bakker (Holanda), Delphine Delfino (França)
Caminhões (Navegadoras): Marije van Ettekoven (Holanda), Margot Llobera (Andorra), Susana Hernando Ines (Espanha), Syndiely Wade (Senegal)
UTVs de Produção (Pilotos): Molly Taylor (Austrália) e Rebecca Busi (Itália)
UTVs de Produção (Navegadoras): Valentina Pertegarini (Argentina), Rosa Romero Font (Espanha), Giulia Maroni (Itália)
Clássicos (Pilotos): Valentina Casella (Itália), Olga Rouckova (República Tcheca), Sandra Riviere (França)
Clássicos (Navegadoras): Anne Galpin (França), Mercedes Montamarta (Espanha), Julie Verdaguer (França), Monica Buonamano (Itália), Jacobine Kamp-Noordsij (Holanda), Corinne Berteloot (França), Audrey Rossat (França), Faiza Maillard (França), Magali Barlerin Simonot (França), Claire Deygas (França), Corinne Cupers (França), Sonia Ledesma Gomez (Espanha), Alexia Giugni (Itália), Lidia Ruba (Espanha), Simona Morosi (Itália), Marie-Noelle Malsergent (França) e Andrea Cadei (Itália)

Veículos conduzidos por tripulações 100% femininas

Motos: Mirjam Pol (Holanda), Sandra Gomez Cantero (Espanha), Kristen Landman (África do Sul)
Protótipos Leves: Annett Fischer (Alemanha)/Annie Seel (Suécia) e Merce Martin (Espanha)/Lisette Bakker (Holanda)
UTVs de Produção: Rebecca Busi (Itália)/Giulia Maroni (Itália)
Clássicos: Valentina Casella (Itália)/Monica Buonamano (Itália)

 

 

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Guia do Dakar: tudo sobre o desafio, os favoritos e os brasileiros em 2023

O Dakar 2023 terá início com muitas expectativas e poucas certezas. Entre os 455 veículos inscritos nas sete categorias, a lista de possíveis vencedores é grande e até inclui brasileiros.

Como dita a tradição e a própria essência da corrida, na 45ª edição do maior desafio do esporte a motor mundial tudo pode e deve acontecer.

A prova será disputada nos desertos da Arábia Saudita, a ordem de largada ocorrerá no dia 31 de dezembro e assim, terá o início de seus 15 dias de competição em primeiro de janeiro.

A corrida será disputada pela quarta vez seguida na Arábia Saudita, após 11 edições na América Latina, que recebeu a prova quando o Dakar foi forçado a abandonar a África devido a crescentes ameaças terroristas.

Pelo segundo ano seguido, o rally será válido também para o Campeonato Mundial FIA de Rally Cross-Country.

O percurso será de 8.549km, sendo 4.706km de trechos cronometrados em alta velocidade, as chamadas especiais, correspondentes a um dia de competição.

O trajeto prevê alguns trechos já visitados, como os de Al’ula, Ha’il e Riad, mas também inclui percursos inexplorados no inóspito “Empty Quarter”, um deserto gigantesco cujo nome, em tradução aproximada, significa “território inabitado”.

Quem se perder por ali estará sozinho em um mar de areia. O Dakar, novamente, promete que a sequência interminável de dunas será predominante na prova.

Ao todo, serão 455 veículos em sete categorias principais: motos, quadriciclos, carros, protótipos leves, UTVs, caminhões e clássicos, destinada a carros do Dakar de várias épocas, mas em percurso menos radical.

A principal categoria é a dos carros, por ter os veículos mais sofisticados, velozes e os pilotos mais importantes. Entre os 73 automóveis, há algumas subcategorias determinadas pela configuração das máquinas, incluindo veículos de tração 4×4 e 4×2, motores híbridos, a diesel, diesel ecológico e gasolina.

A principal divisão é a T1+, na qual a equipe Overdrive Toyota tenta repetir a vitória geral da prova obtida em 2022 com a dupla Nasser Al-Attiyah/Mathieu Baumel (Qatar/França), além de chegar reforçada pelo vencedor do Dakar 2009 Giniel De Villiers e o navegador Dennis Murphy, ambos sul-africanos.

É neste esquadrão também que está o estreante brasileiro e atual bicampeão do Rally dos Sertões, Lucas Moraes e o navegador alemão Timo Gottschalk.

A dupla é vista como fonte de possíveis surpresas tanto pelo desempenho de Moraes no maior rally do Brasil quanto pelas atuações no Campeonato Mundial FIA de Rally Baja e Cross Country.

O navegador alemão Timo Gottschalk e o piloto brasileiro Lucas Moraes

A bordo de um modelo Hunter da Prodrive testado ao longo do ano, o nove vezes campeão mundial de rally Sebastien Loeb chega a 2023 depois de ter terminado no pódio três vezes. O supercampeão da França promete não deixar escapar a primeira vitória no Dakar neste ano, ao lado do navegador belga Fabian Lurquin.

Outra sensação é a equipe alemã Audi, que volta à carga com os carros híbridos gasolina-elétricos e-Tron Quattro, que após um ano de desenvolvimento estão entre as principais apostas do Dakar 2023.

A mão de obra é do lendário “Mister Dakar” Stéphane Peterhansel (com o navegador francês Edouard Boulanger) e do icônico Carlos Sainz (em parceria com o também espanhol Lucas Cruz), além do ex-DTM Mattias Ekstrom (e seu conterrâneo, o navegador sueco Emil Bergkvist).

Entre os 19 quadriciclos, além do campeão Alexandre Giroud (França), o Brasil vem bem representado com Marcelo Medeiros, que na edição anterior venceu três das 12 especiais do evento e terminou em sexto.

As motos são a categoria mais numerosa, com 125 participantes, mas não possui brasileiros na competição.

Destaque para o atual bicampeão Sam Sunderland (Inglaterra), além do espanhol Joan Barreda, o chileno Pablo Quintanilla, o norte-americano Ricky Brabec, o australiano Toby Price e o austríaco Matthias Walkner.

O francês Alexandre Giroud é o atual campeão na categoria Quadriciclos

Devido à guerra contra a Ucrânia, competidores russos e mesmo a fabricante Kamaz foram banidos do Dakar.

Em 2022, a montadora dos icônicos caminhões de rally baseada em Naberejnye Tchelny faturou os quatro primeiros lugares. Mas essa ausência não tornou menos impressionante a categoria dos caminhões, que não possui competidores brasileiros.

Com 56 veículos inscritos, os gigantes do deserto prometem um show a parte, com destaque para os pilotos holandeses da Iveco Janus van Kasteren e Martin van den Brink, primeiros colocados em 2022, logo após os quatro caminhões russos que dominaram a corrida.

Já entre os 47 Protótipos Leves, que são UTVs construídos especificamente para rally, os chilenos Francisco López Contardo e Juan Pablo Latrack são os atuais campeões e novamente ocupam o alto da lista de apostas.

Os favoritos desta vez terão a companhia de duas duplas brasileiras: Pâmela Bozzano/Carlos Sachs e Enio Bozzano Júnior/Luciano Gomes.

A provável grande rival de Contardo/Latrach deve ser a dupla formada pelo americano Austin Jones e o brasileiro Gustavo Gugelmin, atuais campeões da categoria de UTVs de produção.

Nesta última, estão inscritos 46 UTVs de produção, aqueles vendidos em lojas comuns, com os brasileiros Rodrigo Luppi/Maykel Justo entre as parcerias mais fortes.

O Brasil também será representado por Bruno Conti de Oliveira, que contará com a navegação do português Pedro Bianchi Prata, e Cristiano Batista, que terá navegação do espanhol Fausto Mota.

Apesar de rivais, Rodrigo e Bruno são pai e filho e disputarão a prova pela mesma equipe, a South Racing Can Am, atual campeã do Dakar.

Sam Sunderland, atual bicampeão do Dakar, é uma das estrelas entre as 125 motos

Um dos Audi híbridos e supercotados para a vitória em 2023

 

 

 

 

 

 

 

45ª Edição do Rally Dakar
8.549km de percurso total. Especiais somam 4.706km

(Data / locais / total do dia / especial)

Prólogo: 31/12 – Sea Camp – 10 km / 10 km
01/01 – Sea Camp –> Sea Camp – 603 km / 368 km
02/01 – Sea Camp –> Al-‘Ula – 590 km / 431 km
03/01 – Al-‘Ula –> Ha’il – 669 km / 447 km
04/01 – Ha’il –> Ha’il – 573 km / 425 km
05/01 – Ha’il –> Ha’il – 646 km / 375 km
06/01 – Ha’il –> Ad Dawadimi – 876.68 km / 466 km
07/01 – Ad Dawadimi –> Ad Dawadimi – 641.47 km / 473 km
08/01 – Ad Dawadimi –> Riyadh – 722.41 km / 407 km
09/01 – Descanso – Riyadh
10/01 – Riyadh –> Haradh – 710 km / 439 km
11/01 – Haradh –> Shaybah – 623 km / 114 km
12/01 – Shaybah –> Empty Quarter – 426 km / 275 km
13/01 – Empty Quarter –> Shaybah – 375 km / 185 km
14/01 – Shaybah –> Al Hofuf – 669 km / 154 km
15/01 – Al Hofuf –> Dammam – 414 km / 136 km

Veículos e Categorias
Carros: 73 (1)*
Motos: 125
Quadriciclos: 19 (1)
Protótipos Leves: 47 (5)
UTVs: 46 (4)
Caminhões: 56
Clássicos: 89
Total: 455 veículos
*Nota: entre parêntesis, competidores brasileiros, que totalizam 11. Entre eles, a primeira piloto brasileira do Dakar (Pamela Bozzano)

Brasileiros no Dakar 2023

Piloto / Navegador / Veículo

CATEGORIA T1+
Lucas Moraes (Brasil) / Timo Gottschalk (Alemanha), Toyota GR DKR IMT

PROTÓTIPOS LEVES
Gustavo Gugelmin (Brasil) / Austin Jones (EUA), Can-Am Maverick XRS
Pâmela Bozzano (Brasil) / Carlos Sachs (Brasil), Can-Am Maverick X3
Enio Bozzano Júnior (Brasil) / Luciano Gomes (Brasil), Can-Am Maverick X3

UTVs DE PRODUÇÃO
Rodrigo Luppi (Brasil) / Maykel Justo (Brasil), Can-Am Maverick XRS
Bruno Conti de Oliveira (Brasil) / Pedro Bianchi Prata (Portugal), Can-Am Maverick X3
Cristiano Batista (Brasil) / Fausto Mota (Espanha), Can-Am Maverick XRS

QUADRICICLOS
Marcelo Medeiros (Brasil), Yamaha Raptor 700

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Ford Escort e Mercedes-Benz vencem o Raid Campos do Jordão – Pedra do Baú

Duas vitórias de um Ford Escort XR3 conversível e duas de modelos Mercedes-Benz marcaram o Raid Campos do Jordão – Pedra do Baú 2022, 108º raid organizado pelo MG Club do Brasil.

A bordo do Ford Escort, a dupla formada por Manoel Alfredo Cintra e Pedro Lambiasi venceu as duas provas da categoria Classic (noturna, realizada na sexta-feira 2/12, e diurna, no sábado 3/12).

Na classe Livre, em que os participantes podem usar celulares e tablets com programas de navegação, triunfaram duas duplas com Mercedes-Benz: o casal Hamza El Moumen/Sofia Salomão, com um modelo SL 500 1995, venceu a prova noturna e a dupla Fernando Leibel/Adriano Braz levou a melhor na diurna com um 450 SL 1974.

O Raid Campos do Jordão é um dos mais tradicionais do calendário de eventos do MG Club do Brasil. Como em 2021, as largadas das duas provas foram dadas na Pousada do Quilombo, com a da prova noturna tendo acontecido às 19 horas de sexta-feira, uma hora depois do encerramento da partida entre Brasil x Camarões da Copa do Mundo do Qatar.

Choveu forte durante o jogo e o percurso feito em pista molhada adicionou um desafio extra aos participantes. A chegada aconteceu na própria Pousada do Quilombo.

Ford Escort XR3 Conversível venceu as duas provas na Classic
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

Mercedes SL 500 vencedor da Livre noturna
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

 

 

 

 

 

 

 

 

No sábado, os participantes tiveram um percurso um pouco mais longo, circundando a Pedra do Baú em sentido contrário ao utilizado em 2021.

Isso já transformou a prova em “um outro rally”, na definição de alguns participantes. Subidas e descidas íngremes, muitas vezes por estradas estreitas, tornaram ainda mais difícil manter as médias horárias indicadas na planilha de navegação.

O trajeto competitivo da prova diurna terminou a alguns quilômetros da estrada que leva ao restaurante Oliq, onde os participantes foram recebidos com um almoço.

Mercedes 450 SL, vencedor na Classic diurna e segundo colocado na noturna
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

BMW 320 ficou em segundo na Classic noturna
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

 

 

 

 

 

 

 

 

A cerimônia de premiação do Raid Campos do Jordão – Pedra do Baú 2022 aconteceu na noite de sábado na Pousada do Quilombo. Receberam troféus os cinco primeiros colocados da categoria Classic e os três primeiros da Livre em cada prova.

O Troféu Francisco Corazza, concedido à dupla que melhor personificou o espírito esportivo do evento, ficou com a dupla Gilbert Landsberg/Maria Raquel. Eles correram com o carro mais antigo da prova, um Jaguar Mk2 1962.

“O evento, mais uma vez, foi um sucesso. A adoção da categoria Classic, em que o raid é feito nos moldes antigos, sem ajuda de GPS e celular, foi uma novidade bem recebida. Quanto ao meu resultado, o Pedro (Lambiasi, navegador) foi crucial para a vitória. E o meu carro é muito bom para fazer esse tipo de prova, por ser mais recente e ter bons faróis e direção mais precisa que um carro mais antigo. Essa, por sinal, é uma das razões para adotarmos um handicap de idade e cilindrada. Esse Escort é muito especial. Foi comprado no ano em que nasci, está com a família desde aquela época e eu já participei de cinco provas com ele, três em autódromo e as duas deste raid em Campos do Jordão. E ganhei todas! Vamos ver até quando dura essa invencibilidade”, disse Manoel Alfredo Cintra, vencedor das duas provas na categoria Classic e diretor técnico e esportivo do MG Club do Brasil.

MG B terminou em segundo lugar na Livre diurna
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

Mercedes 500 SL, segundo colocado na Classic diurna
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

 

 

 

 

 

 

 

 

“A prova noturna exigiu muita atenção às referências. Houve vezes em que quase nos perdemos por não ver uma placa a tempo. Foi nossa primeira vitória em raids de regularidade e vencer uma prova de nível tão alto nos deixa muito felizes. Este é um dos eventos de que mais gostamos. Além da prova em si, tudo é muito charmoso. Fizemos amizades e ouvimos muitas histórias. Tudo é feito de um jeito em que a gente se enturma, enquanto em outros raids existe apenas a competição. Nosso filho de dois anos fala a cor de cada carro e agora está aprendendo a identificar os modelos. Logo, logo ele vai participar com a gente!”, comenta Hamza El Moumen e Sofia Salomão, vencedores da prova noturna na categoria Livre.

BMW 318 Ti Compact, terceiro na Classic nas duas provas
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

Puma GTS ficou em terceiro na categoria Livre nas duas provas
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

 

 

 

 

 

 

 

 

“Prova noturna é sempre difícil, ainda mais com pista molhada. Perdemos tempo porque fomos parados pela polícia em uma blitz, mas resolvemos continuar na luta e ficamos em segundo lugar. Na diurna, não tivemos incidentes. O mais difícil era manter a média nas subidas e descidas, porque a estrada era estreita e tinha carros nos dois sentidos. Foi uma prova desafiadora, sem dúvida. Achei perfeita a divisão entre os competidores com aparelhos especiais e sem. Fica mais justo”, disse Fernando Leibel, vencedor da prova diurna na classe Livre.

Jaguar Mk2, o carro mais antigo do Raid Campos do Jordão
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

DKW Vemaguet 1967, uma das atrações
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

 

 

 

 

 

 

 

 

“Foi mais um raid muito bom, com paisagens bonitas em estradas espetaculares, com subidas e descidas muito acentuadas. Todos os participantes gostaram muito do evento e isso é o mais importante. Para mim, particularmente, a prova noturna foi muito difícil porque meu carro é muito baixo e havia lombadas altas no percurso. Isso me fez tomar muito cuidado para evitar danos. De dia, com melhor visibilidade, pude guiar melhor e obter um bom resultado”, conta Fernando Pimentel, presidente do MG Club do Brasil.

Adamo CRX 1986, outro carro nacional raro no raid
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

Pedro Lambiasi e Manoel Alfredo Cintra (no centro), vencedores na Classic
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

 

 

 

 

 

 

 

 

“Foi um evento muito divertido e fico feliz que tudo tenha corrido bem, dentro do planejado. Choveu antes da prova noturna e o percurso foi feito com piso molhado. A prova diurna foi desafiadora para pilotos, navegadores e carros, principalmente por causa das subidas e descidas muito íngremes. Uma das melhores coisas dessas provas é o ambiente de camaradagem e amizade entre os participantes. Os laços que se criam são muito fortes e duradouros”, declara Américo Nesti, diretor de Comunicação do MG Club do Brasil.

Leibel (de barba) e Braz (quarto à direita) venceram na Livre diurna
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

Casal Hamza El Moumen e Sofia Salomão, vencedor da Livre noturna
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

 

 

 

 

 

 

 

 

Gilbert Landsberg, vencedor do Troféu Francisco Corazza, com Fernando Piemntel
(Guazzi Images/MG Club do Brasil)

Prova Noturna, Categoria Classic:

1) 20-Manoel Alfredo Cintra/Pedro Lambiasi (Ford Escort XR3 Conversível 1985), 42 pontos perdidos
2) 5-Américo Nesti/Danilo Nunes (BMW 320 1976), 50
3) 22-Mário Lott/Daniel Lott (BMW 318 Ti Compact 1995), 88
4) 17-Ilda Menini/Eduardo Menini (Adamo CRX 1986), 137
5) 18-Júlio Areia/Maria Letícia (Mercedes-Benz 280 CE 1984), 166
6) 13-Fernando Pimentel/Maria de Fátima (Mercedes-Benz 500 SL 1993), 255
7) 21-Manoel Felix Cintra/Miriam Cintra (Porsche 911 Carrera 1994), 357  
8) 8-Carlos Henrique Dantas/Gustavo Henrique (VW Fusca 1974), 1.996
9) 6-Ricardo Carmona/Itagiba Mariano (DKW Vemaguet 1967), 6.120
10) 7-Antônio Herrmann (BMW 520), 7.592

Prova Noturna, Categoria Livre:

1) 25-Hamza El Moumen/Sofia Salomão (Mercedes-Benz SL 500 1995), 13 pontos perdidos
2) 1-Fernando Leibel/Adriano Braz (Mercedes-Benz 450 SL 1974), 14
3) 2-Antônio Marcucci/Ana Cláudia (Puma GTS 1974), 21
4) 4-Alexandre Penna/Thais Salles (Puma GTE 1977), 29
5) 9-Carlos Tardini/Gilberto Sundefeld (MG B 1974), 59
6) 10-Dirk Rosenfeld/Helo¡sa Gurgel (VW Fusca 1986), 1.394
7) 16-Heitor Nogueira/Suelen Pereira (Mercedes-Benz 280 SL 1981), 2.550
8) 23-Paulo Marte/Valéria Theodoro (Mercedes-Benz 500 SEC 1983), 4.933
9) 19-Luís Fernando Mariano/José Eduardo (VW Fusca 1984), 5.745

Prova Diurna, Categoria Classic:

1) 20-Manoel Alfredo Cintra/Pedro Lambiasi (Ford Escort XR3 Conversível 1985), 62 pontos perdidos
2) 13-Fernando Pimentel/Maria de Fátima (Mercedes-Benz 500 SL 1993), 148
3) 22-Mário Lott/Daniel Lott (BMW 318 Ti Compact 1995), 167
4) 18-Júlio Areia/Maria Letícia (Mercedes-Benz 280 CE 1984), 192
5) 5-Américo Nesti/Danilo Nunes (BMW 320 1976), 231
6) 21-Manoel Felix Cintra/Miriam Cintra (Porsche 911 Carrera 1994), 289  
7) 8-Carlos Henrique Dantas/Bruno Mello (VW Fusca 1974), 317
8) 17-Ilda Menini/Eduardo Menini (Adamo CRX 1986), 409
9) 12-Eduardo Azevedo/Cecília Azevedo (MG B 1969), 438
10) 7-Antonio Herrmann (BMW 520), 3.149

Prova Diurna, Categoria Livre:

1) 1-Fernando Leibel/Adriano Braz (Mercedes-Benz 450 SL 1974), 26
2) 9-Carlos Tardini/Gilberto Sundefeld (MG B 1974), 36
3) 2-Antônio Marcucci/Ana Cláudia (Puma GTS 1974), 43
4) 25-Hamza El Moumen/Sofia Salomão (Mercedes-Benz SL 500 1995), 61
5) 4-Alexandre Penna/Thais Salles (Puma GTE 1977), 105
6) 19-Luís Fernando Mariano/José Eduardo (VW Fusca 1984), 143
7) 16-Heitor Nogueira/Suelen Pereira (Mercedes-Benz 280 SL 1981), 147
8) 23-Paulo Marte/Valéria Theodoro (Mercedes-Benz 500 SEC 1983), 274
9) 10-Dirk Rosenfeld/Helo¡sa Gurgel (VW Fusca 1986), 548
10) 15-Gilberto Finardi/Magali Ferreira (MG B Roadster 1969), 624
11) 3-Adhemar Dizioli/Maria Cecilia Barbosa (BMW E30 1990), 798
12) 11-Edgard Saigh/Christine Ting (Porsche 911 Carrera 1995), 7.997
13) 26-Gilbert Landsberg/Maria Raquel (Jaguar Mk2 1962), 9.619
14) 28-Paulo Lomba/Sandra Perrone (Ford Mustang 1965), 11.791
15) 24-Rose Salmon/Herve Salmon (Bentley Continental 1991), 13.018
16) 27-Mário Cezar de Andrade/Eileen Cezar de Andrade (Jaguar XK8 1999), 14.263

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Raid Campos do Jordão – Pedra do Baú terá novo regulamento

Fundado em 1983, o MG Club do Brasil é um dos mais atuantes clubes de carros clássicos do País. Foi criado para congregar proprietários de modelos da marca inglesa MG, mas logo tornou-se um clube multimarca, admitindo carros clássicos de qualquer modelo.

O clube organiza raids de regularidade e passeios como as 1000 Milhas Históricas Brasileiras, Raid de Campos do Jordão e Raid da Serra do Mar.

Agora está tudo pronto para o Raid Campos do Jordão – Pedra do Baú, 108º raid organizado pelo MG Club do Brasil para carros clássicos.

O passeio cronometrado que encerra o calendário de eventos do MG Club do Brasil em 2022 acontecerá de 2 a 4 de dezembro e terá um raid noturno na sexta-feira (2) e um diurno no sábado (3), com o último dia sendo de programação livre.

Como todos os eventos promovidos pelo MG Club do Brasil, o Raid Campos do Jordão – Pedra do Baú é um encontro amigável, no qual a competição de regularidade é apenas um dos elementos de interesse.

Várias duplas de piloto e navegador são compostas por pessoas da mesma família.

O raid é aberto a carros fabricados até 1999, importados ou nacionais. Automóveis produzidos de 2000 em diante participam na categoria Turismo como “hors concours”, não se integrando à classificação geral do evento.

As principais mudanças no regulamento dizem respeito à separação dos concorrentes em duas categorias. Na Rally Clássico, a navegação deve ser feita somente com instrumentos como cronômetro e calculadora de quatro operações, cronômetro de mão (digital ou analógico), hodômetro e velocímetro originais do automóvel.

São vedados auxílios de celular ou tablet, sob pena de desclassificação. Na Rally Livre, é permitido o uso de celular e tablet com aplicativos tipo GPS e planilhas digitais.

As duplas perdem um ponto para cada segundo adiantado ou atrasado nos postos de controle em relação ao tempo previsto no roteiro dos passeios, ou 600 pontos por posto de controle que não registre passagem do concorrente.

Todas as duplas descartam o equivalente a 10% do número de postos de controle pelos quais passarem com os maiores atrasos.

À pontuação final é acrescido o handicap, que vai de 0% para carros feitos até 1950 com motor de até 1.300 cm³ a 90% para modelos de 1993 a 1999 com motores acima de 1.901 cm³.

A mudança de handicap é uma das novidades do regulamento do MG Club do Brasil deste ano. Em 2021, ele levava em conta unicamente a época em que o carro foi fabricado.

Nesta edição do Raid Campos do Jordão – Pedra do Baú, o regulamento volta a incluir também o handicap de cilindrada: zero para carros com motor até 1.300 cm³, 10% para carros com motor de 1.301 a 1.900 cm³ e 20% se o motor tiver mais de 1.901 cm³.

O handicap por fase de fabricação permanece inalterado: veículos até 1950, handicap zero; de 1951 a 1957, 15%; de 1958 a 1964, 20%; de 1965 a 1971, 25%; de 1972 a 1978, 30%; de 1979 a 1985, 40%; de 1986 a 1992, 55%; de 1993 a 1999, 70%.

Isso significa que o handicap a ser aplicado varia de zero (veículo até 1950 com motor até 1.300 cm³) a 90% (veículo de 1993 a 1999 com motor acima de 1.901 cm³).

Um exemplo prático: se uma dupla perder 100 pontos na estrada e seu carro tiver handicap de 40% (fabricação+cilindrada), terá atribuídos 140 pontos no resultado final.

Para mais informações sobre o Rally de Campos do Jordão, acesse mgcbr.com.br

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